sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Como ocorre a exploração capitalista, hoje?

Finalizei a leitura do último texto assinado pela rede Universidade Nômade.br, O COMUM E A EXPLORAÇÃO 2.0, publicado há poucos dias em seu novo site. Tomam a realização do III Fórum de Mídia Livre, em Porto Alegre, como ponto de partida para uma análise das formas de exploração no atual momento do capitalismo. A análise é realizada sob a perspectiva do "comum", mas o comum na esteira do marxismo operaísta, da filosofia da diferença e da antropologia canibal. Tomam como exemplo o Circuito Fora do Eixo (FdE), uma espécie de rede de cultura que centraliza outras redes de cultura. Penso que toma o exemplo do FdE, mas poderia tomar alguns outros casos concretos como exemplos para a realização da análise, tais como redes do assim chamado terceiro setor que pretendem organizar outras redes.

Há três pontos indispensáveis no texto: o próprio "conceito" de "comum", a ambiguidade da crise financeira global e a compreensão da forma de exploração do denominado "capitalismo 2.0"

Comum: organização política das relações produtivas e materiais; modalidade de convivência, cooperação e produção, mas também como base material para a auto-formação; para além do público e do privado, esfera transversal onde cultura, economia e política se fundem; ocupação intensiva do tempo e do espaço; organização heterogênea que não nivela as diferenças, mas parte delas e gera novos entes e processos. Ponto de partida e terreno da luta entre comunismo e capitalismo.

Ambiguidade da crise:

domingo, 29 de janeiro de 2012

Roça 1 - identidade caipira

Talvez todos os males de viver aqui apareçam quando ocorre a tentativa de viver no interior a vida da capital.

Não temos cinema, nosso teatro não funciona, não temos uma casa de shows (para um nada de bandas), não temos biblioteca municipal (inundou, reforma interminável).

As linhas de fuga cartografadas até agora: pescaria (será que os peixes sentem dor?), andar de bicicleta, ler na garagem. Caminhar não é tão atraente.

Quanto a mim, ainda com problemas para grupalizar.

Música 1 - eyehategod e o peixe silencioso

Muito longe de ser um especialista ou profundo conhecedor do mundo musical, qualquer estilo que seja, faço mais é parte do grupo de pessoas que é dependente de música. Talvez muito menos do que alguns e muito mais do outros. O fato é que já perdi compromissos em função de não encontrar os fones de ouvido ou de não ter conseguido baixar a trilha sonora perfeita para uma determinada ocasião.

Desde ontem tenho ouvido repetidas vezes uma banda chamada EYEHATEGOD. Também estou longe de ser especialista ou profundo conhecedor do som que os caras fazem. Meu lance tem sido ouvir repetidas vezes porque o som que eles fazem produz uma conexão direta com o meu estado de espírito agora que voltei a viver em Pirassununga.

Não sei exatamente por que isso acontece. Os caras são de Nova Orleans. É uma cidade praticamente cinco vezes maior do que Pirassununga em número de habitantes (mais de 340 mil para eles, contra cerca de 70 mil por aqui). Além disso, pelo que pude continuar sondando, em Nova Orleans há um monte de festivais e festividades culturais acontecendo ao longo do ano, ao contrário do que ocorre por aqui: temos uma festa do peão, um dia da aeronáutica, e talvez um festival de teatro (Cacilda Becker nasceu aqui!). Mais muitas coisas (jazz, katrina, ocuppy).

Mas... não sei... ouvi-los era uma coisa que fazia muito sentido quando eu morava aqui há 10 anos... e continua fazendo sentido hoje, depois que voltei a morar por aqui. Dizem em seu myspace que seu gênero é Blues / Punk / Southern Rock. Por aí dizem que são uma espécie de mestres do stoner rock, sludge doom metal. E por aí vai.

Mas... penso que aquelas microfonias... aquela bateria arrastada... aquele vocal pegajoso... as guitarras blueseadas... aliados aos nomes de algumas músicas (depress, 99 miles of bad road, serving time in the middle of nowhere, por ex.)... são esses elementos que combinam com uma cidade como Pirashit... sufocada por um interminável governo do PSDB... onde estamos todos destinados ao funcionalismo público, o comércio, as fábricas ou o serviço militar obrigatório...

Há alguma coisa doentia no ar desta pequena cidade, talvez de todas as pequenas cidades, que adoece os pulmões (queimada de cana!!!) e o cérebro - não sei se são exatamente as inexistentes opções culturais ao longo dos dias da semana - mas, de alguma forma, começa-se a comemorar a chegada da sexta-feira, quando todos podem gastar sua grana nos locais fechados de recreação - bares, choperias, etc.

Parece mesmo que se está cumprindo pena no meio de lugar nenhum. Algumas opções de liberdade parecem existir: pescaria, andar de bicicleta, ler na garagem. Ou ficar entupindo os tímpanos e alimentando o fígado com eyehategod. Como se pode amar a vida aqui? Essa é a pesquisa em andamento!


quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Autocrítica 1 - Moinho - Luz - Pinheirinho

A conexão destes três eventos incêndio da favela do moinho + intervenção na Luz + desocupação do pinheirinho tomou-me por completo nos últimos dias. Penso que isso tem relação com minha experiência de trabalho no CDDH de Petrópolis/RJ, quando lidei cotidianamente com questões de moradia e uso de drogas. Senti um destempero muito grande não encontrei outro modo de me conectar com as mobilizações que estavam acontecendo espalhadas pelo país a não ser por meio da própria internet. Essa espécie de isolamento que a vida numa cidade pequena proporciona, de algum modo, empurra a gente para esse modo cosmopolita de conexão que são a internet e as assim chamadas redes sociais. Avalio que passei da conta nestas conexões e tive pouco tempo para realmente aprender ou ensinar com as questões. Os momentos privilegiados para transformar essa super-conexão em algo produtivo foram apenas três: a força de experimentar um jornalismo que propaga notícias, em tempo real, que de outro modo seria impossível acessar; um momento em que pude efetivamente interromper o fluxo de republicar postagens e, assim, comentar as postagens de um grande amigo; a leitura atenta e detalhada de alguns textos, vídeos e áudios que abordaram esses eventos ora em conjunto, ora analisando cada um dos casos.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

categoria "por pra fora". 1) que venha o ano novo!

os eventos passaram, mas as sensações permanecem. como fazer para deixá-las lá atrás, junto com os eventos que já passaram?

esse foi um ano difícil. como algumas outras pessoas, também gostaria que ele terminasse. que ele já tivesse terminado. não porque seu término modificará a sensação de que foi um ano assim - que não dá a menor vontade de repetir. mas seu término dá a sensação de que os lances ruins ficarão cada vez mais distantes no tempo. e talvez seja como disseram aqueles cabras: "o seu caso é o tempo passar".

ao mesmo tempo, virar a folhinha dá a sensação de espaço-aberto.
[mesmo com os muitos medos que acompanham a instabilidade de não ter um emprego.
[e com a insegurança que acompanha o processo de pesquisa e a escrita de uma dissertação de mestrado.
[e a certeza de que não será imediata a mudança nas condições que me trouxeram de volta para esta terrinha.
mesmo com tudo isso, esta sensação de terreno virgem a desbravar é boa, potencializadora, faz a gente querer que chegue logo o dia e, deste modo, que seja possível iniciar outros modos de estar no mundo.

"se esperarmos um mundo ideal, se julgamos que a verdade está em outro mundo, se idealizamos as coisas e queremos lhes impor um julgamento moral, somente encontraremos desprazer nas coisas reais, e delas somente tiraremos insatisfação e sofrimento, quando na verdade esses afetos são forjados pela própria imaginação de que as coisas deveriam ser como não são, ou que seriam melhores se seguissem um Bem ficcionado como universal - o que expressa simplesmente o desejo, inevitavelmente frustrante, de que a realidade não nos contrariasse" (do prefário do livro "o mais potente dos afetos: spinoza e nietzsche - organizado" por andré martins)

então, se por um lado a chegada deste novo tempo, o tempo do ano novo, é tão desejada, por outro lado não se espera que qualquer coisa do mundo objetivo realmente mude... é como se fosse uma vã esperança. mas seria impossível deixar de aproveitar essa branda rajada de vento para forçar a abertura de uma fenda neste tempo que vem!

mil platos - volume 1 - p 47

É que o meio não é uma média; ao contrário, é o lugar onde as coisas adquirem velocidade. Entre as coisas não designa uma correlação localizável que vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e outra, riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e adquire velocidade no meio.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

curintiano, não-praticante

Qual o meu time? Torço pro Corinthians. Mas sou um curintiano não-praticante.

O que significa que não acompanho os campeonatos, as tabelas, as escalações, nem nada disso. Mas que fico muito impressionado quando todas as ruas de uma cidade como São Paulo ficam tomadas por bandeiras, torcedores, gente reunida pra acompanhar a final do campeonato... Fico indeciso, se devo ou não devo aderir, apoiar, tomar parte. Ao mesmo tempo, acho que sinto um pouco de medo de me deixar levar pelas alegrias e tristezas das partidas que o Timão disputa.

Ontem, mesmo para um curintiano não-praticante, foi um dia muito intenso: morreu o Sócrates, o único jogador que realmente admirei, no mesmo dia em que o curintia iria disputar a final. Mais uma vez foi renovada em mim uma admiração pelo Timão ser o time do povo... E o Sócrates reafirmou isso de tantas maneiras, por meio de ações dentro e fora de campo, dentro e fora do mundo do futebol.

Gostaria de me envolver mais com o curintia no ano que vem. Não sem suspeitar desses momentos em que todos parecem uma coisa só. Mas conhecendo por dentro isso que fez o Sócrates dizer: "O Corinthians não é só um time e uma torcida. É um estado de espírito".